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A primeira mulher negra a receber um Oscar

Hattie McDaniel, em 1940, foi a primeira mulher negra a receber um Oscar pelo filme E o Vento Levou (Victor Flaming, 1939), na categoria Atriz Coadjuvante. De pais que viviam em situação de escravidão, era a caçula de 13 filhos. Olhar expressivo, trejeitos simples e marcantes em sua essência, a atriz exalava a dor do pre-conceito e racismo. Brilhante foi a sua atuação.

Alias, é! O filme a eternizou e a tornou um dos símbolos da luta negra.

Por ser negra, não pode ao menos se sentar com os seus colegas de elenco durante a cerimônia. Elenco este fortemente premiado em outras categorias, e ela não pode fazer parte daquilo que é parte.

Reclusa da equipe com a qual colaborou de forma marcante para o sucesso, reservaram-lhe um pequeno espaço no fundo do hotel racista Ambassador Hotel (em Los Angeles), para que fizesse o agradecimento pelo prêmio, foi necessário que um amigo conversasse com a gerência do hotel para que permitissem que Hattie McDaniel entrasse no mesmo e pudesse, ao menos, habitar por momentos aquele lugar.

Em suas palavras de agradecimento:

“Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, membros da indústria cinematográfica e convidados de honra, este é um dos momentos mais felizes de toda a minha vida e eu quero agradecer a cada um de vocês que contribuíram para que eu fosse selecionada para esse prêmio; por sua bondade que me fez sentir muito, muito humilde. Vou levar isso como uma inspiração para tudo o que eu possa fazer no futuro. Espero sinceramente que eu sempre possa ser um exemplo para a minha raça e para a indústria cinematográfica. Meu coração está cheio demais para que eu possa dizer exatamente como me sinto. Obrigada e Deus os abençoe.”

Prêmio esse que, em seu momento de cerimônia, coloca o indivíduo como rei/rainha (uma ressalva, tinha que ser branco para isso), Hattie McDaniel, em sua pura simplicidade e com o fardo do racismo, em nenhum momento de suas palavras se coloca como merecedora e sim como se tivesse apenas ganhado um presente e não um prêmio pelo seu maravilhoso trabalho, além de ressaltar que foram bondosos com ela. Se observamos cautelosamente, mesmo sendo o seu apogeu, não a deixaram se sentir assim. Porém, McDaniel finaliza lembrando e honrando os teus, aqueles que carregam a mesma luta e dor.

Desde a década de 1970 que não se sabe o fim de sua estatueta do Oscar. Esta havia sido doada para a Universidade Howard, em Washington, porém sumiu da instituição de forma misteriosa e bem possivelmente criminosa, tendo várias suspeitas: que foi jogada em um rio, após a morte de Martin Luther King Jr em 1968, que foi roubada, ou jogada fora por funcionários da faculdade.

Nem em sua morte, no ano de 1952, lhe permitiram fazer parte, ser gente. O seu último desejo era ser enterrada no Hollywood Forever Cemetery, o cemitério com várias estrelas de Hollywood, mas o seu pedido foi negado pela cor de sua pele. Em 1999, a família conseguiu que um memorial em sua homenagem fosse posto no local.

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