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No último dia 18 de junho, Maria Betânia completou 80 anos — 63 deles vividos em cima de um palco. Para marcar a data, a gravadora Biscoito Fino lançou três coletâneas digitais especiais (“Novelas”, “Fé” e “Encontros”), reunindo desde clássicos a uma gravação inédita com o sobrinho Zeca Veloso. Uma carreira longa, premiada, cheia de reverencias — mas também cheia de páginas que Betânia nunca quis abrir totalmente. Uma delas tem nome: Gal Costa.

Duas meninas da Bahia

Maria Betânia nasceu em 18 de junho de 1946, em Santo Amaro da Purificação, no Reconcavo Baiano. Gal Costa, nascida Maria da Graça Costa Penna Burgos, também era de Salvador. As duas começaram a cantar quase ao mesmo tempo, ainda adolescentes, em meio à efervescência cultural baiana dos anos 1960 — o mesmo caldeirão que formaria Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé.

Betânia estourou primeiro, em 1965, substituindo Nara Leão no espetáculo “Opinião” e eternizando “Carcárá”. Gal seguiu o próprio caminho, cravando presença no movimento tropicalista e em discos que se tornariam cult.

O namoro que pouca gente lembra

Antes de serem duas das maiores vozes da música popular brasileira, Betânia e Gal foram duas garotas vivendo a revolução de costumes da Bahia dos anos 1960. E, segundo relatos das próprias e reportagens da época, chegaram a namorar.

O assunto raramente é tratado com profundidade pela imprensa — mas apareceu, entre linhas, no documentário O Nome Dela é Gal (2022), feito para celebrar os 50 anos de carreira de Gal Costa. No primeiro episódio, é a própria Betânia quem aparece, surpresa por ter sido convidada a dar um depoimento, e revela que havia muitos anos as duas não se encontravam.

Esse romance de juventude — vivido em uma época e em um lugar onde falar abertamente sobre relacionamentos entre mulheres exigia coragem — acabou ficando em segundo plano diante de um mistério maior: por que elas se afastaram?

O motivo do afastamento: o que se sabe e o que é especulação

Aqui é importante separar fato de boato.

O que é fato, bem documentado: Betânia e Gal se afastaram depois do fim do grupo Doces Bárbaros (o quarteto formado com Caetano Veloso e Gilberto Gil nos anos 1970). A última vez que estiveram juntas publicamente, por muito tempo, foi em 2002, em uma reedição do próprio Doces Bárbaros. De lá em diante, o silêncio só foi quebrado uma vez: na morte de Dona Canô, mãe de Betânia e Caetano, quando Gal enviou condolências.

O que circula como rumor, sem confirmação das próprias: dizem por aí que o estopim teria sido uma diferença de temperamento — Gal mais adepta de relacionamentos abertos, Betânia mais possessiva e ciumenta. É uma explicação que aparece com frequência em fóruns e comentários de fãs, mas nenhuma das duas jamais confirmou publicamente esse motivo. Vale registrar a especulação como parte do imaginário em torno da dupla — não como verdade estabelecida.

Maria Betânia Gal Costa Arte no Caos

Carece de fontes


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(Carece de fontes)

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O reencontro

A história, porém, não termina no silêncio. Em 2018, Betânia e Gal voltaram a se encontrar — ao menos no estúdio. As duas gravaram juntas a faixa “Minha Mãe”, incluída em A Pele do Futuro, penúltimo álbum de estúdio de Gal Costa, lançado naquele ano.

Não houve declaração pública, não houve reconciliação anunciada com pompa. Mas a música, mais uma vez, fez o que o silêncio não conseguia: as colocou de volta na mesma faixa, décadas depois de Salvador, décadas depois dos Doces Bárbaros, décadas depois de tudo o que ficou sem explicação.

Duas mulheres, uma história que a MPB preferiu sussurrar

Betânia, hoje com 80 anos, segue sendo tratada como uma intérprete discreta sobre a própria vida pessoal — e talvez seja exatamente essa discrição que torna esse capítulo tão fascinante. Não é sobre expor o que não foi dito por elas. É sobre lembrar que duas das vozes mais importantes da música brasileira também foram, antes de tudo, duas garotas se descobrindo — artisticamente e afetivamente — na Bahia dos anos 1960.

Veja algumas imagens desse romance

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